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	<title>Centenário da República - vamos fazer história!</title>
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	<description>Vamos fazer História</description>
	<pubDate>Fri, 03 Dec 2010 11:20:35 +0000</pubDate>
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		<title>A República Comemorada</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Dec 2010 11:20:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Távora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A Propaganda]]></category>

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		<description><![CDATA[O Centenário da República, comemorado com uma boa dose de celebração palavrosa e inócua, não se pode dizer que ficasse reduzido a esses momentos festivos e passageiros que assinalam a passagem de todas as grandes datas. O acontecimento distinguiu-se por uma verdadeira torrente de exposições, artigos, conferências, debates e comentários, em todos os meios dotados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial; font-size: 12px" class="Apple-style-span">O Centenário da República, comemorado com uma boa dose de celebração palavrosa e inócua, não se pode dizer que ficasse reduzido a esses momentos festivos e passageiros que assinalam a passagem de todas as grandes datas. O acontecimento distinguiu-se por uma verdadeira torrente de exposições, artigos, conferências, debates e comentários, em todos os meios dotados de elevada ou reduzida visibilidade. A república ficou verdadeiramente exposta aos olhos do público, e com tal abundância de imagens que se poderia suspeitar de uma autêntica reconciliação com o passado, perdidos os pudores que caracterizaram por tanto tempo as relações do republicanismo com o seu passado. Mas se as imagens foram muitas, também as ausências o foram, e a torrente de dados posta à vista de todos veio sempre envolta em espessa nuvem de explicações, justificações, interpretações e dissertações, que mostram estarmos ainda a meio de um tortuoso caminho, onde se enfrentam as escolas de pensamento que pugnam pelo domínio da memória. Para se perceber o significado das comemorações centenárias, e a sua importância para as correntes intelectuais que tutelam a sociedade portuguesa, é preciso lançar os olhos sobre o que viram e contaram os historiadores nos últimos cinquenta anos. <span>  </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">A evolução dos estudos históricos, no tocante à república portuguesa, assemelha-se aos movimentos de um exército que abandona território conquistado, sob a condução de hábeis oficiais que têm ordem de recuar tão lentamente quanto possível, cedendo apenas aqueles pontos cuja defesa se tenha tornado insustentável.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">Até <st1:metricconverter w:st="on" productid="1960, a">1960, a</st1:metricconverter> história da república foi evocada, estudada e publicada em obras de carácter comemorativo, inspiradas por fogosos militantes do republicanismo anti-fascista, como Lopes de Oliveira, <st1:personname w:st="on" productid="David Ferreira">David  Ferreira</st1:personname>, Carlos Ferrão e Raul Rego. Estes aguerridos defensores da república faziam da sua escrita um acto de resistência ao Estado Novo, <span> </span>tendo por objectivo confesso vincar o contraste entre a liberdade que vigorara até 1926 e a repressão que se abatera sobre a nação portuguesa desde o golpe de 28 de Maio desse ano. Salvo raras excepções, de que a mais importante foi a “História de Portugal” dirigida por Damião Peres, as obras que se debruçavam sobre a república e o republicanismo tinham, pois, abertas intenções apologéticas, justificativas ou comemorativas, e defendiam com a mais crédula e ingénua satisfação a grandiosa “obra” do regime a que chamavam a “república democrática”. <o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">A ideia republicana tinha sido “sementeira de ideias e princípios que frutificou explendidamente”. Os políticos republicanos eram “exemplo de isenção, desinteresse, devoção cívica e fraterna compreensão das necessidades dos seus compatriotas”. E, proclamada a república, o país inteiro não só “aderiu ao novo regime com um entusiasmo indescritível”, como “ofereceu ao mundo um espectáculo impressionante de unidade que irmanou as classes e os indivíduos num amplexo confiante”. Assim se contava a implantação do regime na “História da República” de Carlos Ferrão, o mais importante e volumoso estudo comemorativo do cinquentenário da revolução de 5 de Outubro.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">É pelos meados da década de 1960 que o estudo da implantação da república, do ideário republicano e dos principais protagonistas da mudança de regime, ganha espaço próprio nos estudos universitários, pela mão de novas gerações com ligação efectiva ao republicanismo, embora empenhadas na construção de uma historiografia com cariz científico. Os estudos de Oliveira Marques, que dominarão a investigação académica nesta matéria durante os 20 anos seguintes, vão-se publicando desde finais dos anos <st1:metricconverter w:st="on" productid="60 a">60 a</st1:metricconverter> um ritmo acelerado, acompanhados da publicação de grande massa de documentos, o que consolida a sua posição como autoridade suprema no assunto. Dirigindo equipas universitárias que encaminhou a estes estudos, é ele que eleva a 1ª república à categoria de tema apropriado a teses de mestrado e doutoramento, revelando a importância e extensão do trabalho a fazer. Mas apesar dos sólidos alicerces documentais e estatísticos em que se apoia, esta escola de investigação histórica caracteriza-se ainda por um tom benévolo, em que facilmente se reconhece a vontade de fazer testemunhar os documentos e os números a favor da república. Oliveira Marques tenta dar uma eloquência republicana aos números que pacientemente compulsou, propondo, por exemplo, um inédito conceito de “representatividade” tirado do número de deputados. O primeiro parlamento da república teria, segundo ele, maior representatividade que os da monarquia, porque o número de 234 deputados componentes da Assembleia Nacional Constituinte significava a existência de um deles por cada 27 000 habitantes do país, enquanto anteriormente havia 1 por cada 40 000 habitantes. Este argumento pareceu-lhe tão bom que o repetiu em meia dúzia de obras, embora reconhecendo que essa presumível representatividade durou poucos meses, pois os 71 membros do senado foram escolhidos entre os 234 deputados, passando a haver, pois, um deputado por 36 000 habitantes. E depois de reconhecer que a república restringiu em muito o sufrágio, ao abolir o direito de voto dos analfabetos, conclui, mesmo assim, que o novo regime, ficando ainda longe do sufrágio universal, representou um grande avanço no respeitante à representação da vontade nacional. Com os documentos publicados operou-se o mesmo método de selecção. Vendo em <st1:personname w:st="on" productid="Afonso Costa “">Afonso Costa “</st1:personname>o mais hábil e dotado dos estadistas da República”, Oliveira Marques interpreta o pensamento e as intenções deste político a partir dos seus discursos parlamentares, concluindo que a tolerância era o mais importante dos seus princípios, e o povo miúdo a sua grande preocupação.<span>   </span><span>  </span><span>  </span><span>  </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">A publicação da tese de doutoramento de Vasco Pulido Valente, “O Poder e o Povo”, em 1974, fez o efeito de uma granada explodindo no meio de um exército bem alinhado. Recusando-se a ver qualquer tipo de idealismo tanto no campo republicano como no monárquico, este autor, com a sobranceria que o tornou famoso, submete toda a época da propaganda e proclamação da república a uma análise irónica, em que os actores são caracterizados como um bando de ambiciosos sem escrúpulos, cínicos e hipócritas, que se instala no poder substituindo outro bando com as mesmas características. Mas os pontífices da historiografia académica procuraram limitar os efeitos destrutivos desta obra, apontando-lhe inúmeros defeitos de método, e atribuindo-lhe uma classificação depreciativa, afixada nos manuais e guias de estudo que orientaram muitas gerações de estudantes. “Trabalho altamente discutível, quer no método utilizado, quer nas premissas e nas conclusões apresentadas”, foi como o “Guia de História da I República”, de Oliveira Marques, classificou “O Poder e o Povo”, repetindo-se este veredicto, palavra por palavra, em várias obras publicadas pela equipa do mesmo professor. <span>  </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">Nos anos <st1:metricconverter w:st="on" productid="80 a">80 a</st1:metricconverter> Faculdade de Letras de Lisboa abriu uma nova frente da historiografia republicana, sob a orientação do professor João Medina, autor e coordenador de extensa produção científica, de que merece destaque uma “História de Portugal” em 15 volumes, profusamente ilustrados. Esta escola deu um passo assinalável no abandonar de<span>  </span>posições tradicionais da historiografia republicana, e fê-lo porque julgou ter encontrado a justificação fulcral de todos os “erros” que mancharam a vida do regime: Os “adesivos”, tema predilecto desta escola historiográfica, são a causa e a justificação dos “fracassos” da república. Foram eles, com a sua rapacidade materialista, que corromperam o idealismo republicano, segundo a interpretação do professor Medina. Mantendo-se fiel ao núcleo central do republicanismo, isto é, à presunção do idealismo como característica distintiva da aspiração republicana, reconhece João Medina que “a ambiciosa revolução sonhada se gorou” e que a república foi um “sonho progressivamente apodrecido”, falando ainda do “caos do decepcionante regime novo”. Ao contrário dos seus antecessores, não se perde na defesa das leis anticlericais nem na negação de episódios sangrentos, que condena com duras palavras. Mas da podridão do regime faz responsável suprema a legião dos novos convertidos, daqueles que abandonaram a monarquia: “aí está a legião dos Adesivos, a grunhir às portas do novo regime proclamado em 1910, forçando os seus portões, entrando por eles dentro, conspurcando os seus sonhos de pureza e barrela, sujando tudo e todos”.<span>  </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">Nos anos <st1:metricconverter w:st="on" productid="90 a">90 a</st1:metricconverter> proliferação dos cursos universitários, das teses de mestrado e de doutoramento, fez nascer autênticos especialistas em aspectos parcelares da história da república, produzindo-se então importantes trabalhos sobre o movimento operário, o sidonismo, o sistema eleitoral e o caciquismo, a participação na guerra, a situação das mulheres e a questão religiosa. O efeito geral destes trabalhos foi o conhecimento pormenorizado da acção republicana em vários domínios, desvanecendo-se na maior parte deles a possibilidade de uma interpretação idealista, face à documentação publicada. <st1:personname w:st="on" productid="Afonso Costa aparece">Afonso Costa aparece</st1:personname> retratado como o maior inimigo do movimento operário, o “racha-sindicalistas”, como lhe chamavam os jornais. E ao mesmo tempo vê-se elevado ao lugar de supremo cacique eleitoral, depois de minuciosos estudos se terem debruçado sobre as eleições na I república.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">Enquanto se fazia uma pormenorizada devassa da vida política no regime republicano, vários historiadores ligados ao Instituto de Ciências Sociais, como Rui Ramos, Vasco Pulido Valente, Maria Filomena Mónica e Maria de <st1:personname w:st="on" productid="F￡tima Bonif￡cio">Fátima Bonifácio</st1:personname>, publicaram estudos sobre o fontismo, o franquismo, o reinado de D. Carlos e a transição para a república, onde transpareciam muitos dos benefícios trazidos ao país na vigência do regime monárquico, e a lastimável situação a que a república reduziu a nacionalidade portuguesa.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">A aproximação do centenário da república foi vista desde cedo, nos meios que cultivam a herança republicana, como a oportunidade de a apresentar renovada, infundindo-lhe <span> </span>vigor e cativando para ela novos admiradores. O republicanismo maçónico mais ortodoxo, representado na Associação República e Laicidade,<span>  </span>apresentou em 2008 o seu projecto de comemorações, incluindo nas tarefas a cumprir o combate à “ideia negativa”sobre a 1ª república, que, segundo eles, o Estado Novo difundira e a ignorância popular conservara até aos nossos dias. Mas a tentativa de associar a visão “negativa” da I república à ignorância popular não colheu apoios nos meios universitários, e os historiadores convocados a pronunciarem-se sobre a matéria da sua especialidade exprimiram-se com científica contundência a respeito dos fracassos do regime, o que comprova a perda de influência da perspectiva maçónica nos círculos académicos. Houve uma outra força ideológica, com peso na universidade e na comissão oficial das comemorações, que desde 2009 procurou traçar os limites e os contornos de uma revisão da história da república. O professor Fernando Rosas e a professora Fernanda Rolo, sentindo a necessidade de barrar o caminho a uma “corrente monárquica e conservadora” que em 2008 se manifestara na vida pública portuguesa, por ocasião do centenário do regicídio, reuniram a equipa de investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, e apresentaram a versão universitária e republicana de uma nova “História da República”. Na introdução desta obra denuncia-se a existência da dita “corrente monárquica e conservadora”, e acusa-se a mesma de copiar as teses do Estado Novo a respeito da I República, afirmando-se que seria trágico se prevalecessem, nas comemorações do centenário, interpretações como aquela. E em seguida, pretendendo construir uma nova síntese da história da república, adianta-se desde logo uma interpretação, demonstrando o carácter moderno e sociologicamente necessário do novo regime. Deixa-se cair a tese da representatividade democrática da república, pondo-se em lugar dela a adequação do regime às novas classes industriais e urbanas surgidas em finais do século XIX, enquanto se proclama a decadência “inexorável” do regime monárquico, a sua falta de legitimidade e o seu carácter oligárquico. Mas nem todas as teses desta introdução se mostram consistentes ao longo das páginas que se lhe seguem, e o desenvolvimento dos temas veio por vezes revelar a fragilidade das hipóteses avançadas. Os coordenadores da obra afirmam, por exemplo, que a opção do Partido Republicano Português pela conquista violenta do poder foi tomada depois de lhe ter sido “bloqueada a via eleitoral”. Mas vários colaboradores deste volumoso livro falam dos triunfos eleitorais do PRP e da sua contínua progressão nas urnas, ao longo dos anos que precederam o 5 de Outubro.  <!--[endif]--><o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">Se as teses deste novo republicanismo universitário não conseguiram converter todos os membros da equipa reunida em 2009, menos ainda conseguiram impor-se aos historiadores que saíram do seu recolhimento em 1910 e tomaram a palavra em todos os púlpitos e tribunas espalhados pelo país, difundindo a sua sabedoria a um povo subitamente disposto a ouvir falar da república. Os livros, artigos e conferências que se sucederam em enxurrada, foram ainda caracterizados por grande temor reverencial, respeitando quase sempre os títulos de idealista e sonhador que o activismo republicano se atribuiu a si mesmo. Falou-se de esperanças traídas, de erros, violência, golpismo e conspiração, desastre, desilusão, mas sempre tendo por pano de fundo a presunção de pureza, inocência e generosidade nas intenções. Nos artigos que o “Público” apresentou em Setembro deste ano, os professores Fernando Rosas e Fernanda Rolo trazem uma nova interpretação do fracasso da república, falando dos seus erros capitais, dos seus “pecados”, e procurando explicar como foi que os descaminhos do regime, a restrição e manipulação do sufrágio e muitos outros erros políticos, lhe tiraram o apoio popular<span>  </span>e tornaram o regime “presa fácil das direitas antiliberais”. Verifica-se assim que, mesmo depois de ter dado os mais duros desmentidos a tudo o que prometeu – liberdade de imprensa, sufrágio universal, pacifismo, federalismo, apoio às classes humildes – o regime republicano continua a ser descrito com a linguagem da inocência: ele, apesar dos meios violentos que sempre usou, apesar dos votos que manipulou, dos padres que perseguiu e da repressão que empregou contra o movimento sindical, foi “presa fácil” de outros quadrantes ideológicos, que se presumem predadores, e portanto mais agressivos ou desonestos por natureza, enquanto a república só o terá sido por acidente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">O núcleo original e puro do republicanismo português vai-se, assim, reduzindo ao vago conteúdo de discursos e proclamações, a um sonho que insistentemente se afirma ter existido, embora sem efeito algum sobre os actos dos que o sonharam. E neste caso único, os historiadores abrem mão do costumeiro cepticismo com que por dever profissional examinam as palavras dos políticos, dando um crédito excepcional às proclamadas intenções dos fundadores da república. <span> </span><span> </span><span>  </span><span> </span><span> </span><span> </span><span>  </span><span>  </span><span>  </span><o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT"><span>                                                </span><o:p></o:p></span></p>
<p style="text-align: right" align="right" class="MsoNormal"><st1:personname w:st="on" productid="Carlos Bobone"><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT">Carlos Bobone</span></st1:personname><span style="font-size: 9pt; font-family: Arial" lang="PT"><o:p></o:p></span></p>
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		<title>Feminismo e Antifeminismo na República Portuguesa - 2</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 13:36:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Távora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Condição Feminina]]></category>

		<category><![CDATA[Últimas]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando o jornalista Tomé Vieira revelou ao mundo o motivo da oposição republicana ao voto feminino, reproduzindo o que Bernardino Machado confidencialmente lhe revelara, muitos anos antes, julgou o veterano repórter que trazia ao conhecimento público um inviolado segredo, e rodeou a revelação de um grande aparato de pormenores, dedicando-lhe um capítulo das suas memórias, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando o jornalista Tomé Vieira revelou ao mundo o motivo da oposição republicana ao voto feminino, reproduzindo o que Bernardino Machado confidencialmente lhe revelara, muitos anos antes, julgou o veterano repórter que trazia ao conhecimento público um inviolado segredo, e rodeou a revelação de um grande aparato de pormenores, dedicando-lhe um capítulo das suas memórias, em que o ponto alto é esta declaração do antigo presidente da república:</p>
<p>“Não escreva. Isto não é para a entrevista. Meu amigo, a mulher portuguesa é por índole e educação muito conservadora. Seria um perigo para a República conceder-lhe o voto. Isso não. Nós temos de defender a República” (Tomé Vieira, Memórias de um Repórter).</p>
<p>O experiente político, que ocupou os lugares cimeiros na hierarquia da República Portuguesa, teria bons motivos para resguardar tão cautelosamente as suas opiniões, mas outros correligionários seus não escondiam o que pensavam, e as razões de Bernardino Machado eram moeda corrente no republicanismo anticlerical que se difundira pela Europa. Fiel à sua filiação ideológica, a opinião republicana em Portugal esteve sempre atenta, numa posição de grande reverência, ao movimento de ideias que vinha de França.</p>
<p>Poucos meses antes da revolução de 5 de Outubro, a revista “Alma Nacional”, dirigida por António José de Almeida, debruçava-se sobre a opinião da “intelectualidade civilizada”, isto é, dos escritores franceses, a respeito da intervenção das mulheres na política.  Raul Proença revelava o seu pensamento num comentário ao inquérito  que correra em França, tendo sido chamados a pronunciar-se os maiores intelectuais da época sobre as “reivindicações feministas”. O jornalista português classificou em quatro grupos as respostas que leu na imprensa francesa:<br />
O primeiro incluía os que estavam a favor do sufrágio feminino com grandes reservas, ou seja, admitindo-o apenas depois de as mulheres percorrerem um longo caminho educativo. Era com estes que simpatizava o futuro ideólogo da “Seara Nova”. Seguiam-se os que se declaravam contra qualquer tipo de sufrágio, por não acreditarem na democracia, e para esses a questão feminista não se levantava. Em terceiro lugar vinham os que se opunham frontalmente aos direitos políticos das mulheres, opinião sustentada pelo escritor anti-clerical Theodor Reinach, com argumentos a que Raul Proença reconhecia “uma parte de verdade”: por um lado prognosticava que “o sufragio politico das mulheres seria a reacção provavel, a volta triunfante do clericalismo, a destruição, em muitos casos, da paz domestica, o fim da velha cortesia francesa”. Por outro lado, afirmava que a lei do  progresso exige a especialização de funções, em todas as instituições, e que também, portanto, a função política se deveria confinar ao sexo masculino. Em último lugar vinha o grupo dos que defendiam o voto feminino sem reservas, opinião que Proença condenava como ilógica, explicando: “Fizemos a mulher um ser inferior, sem iniciativa, escravo dos maiores preconceitos. Depois de a termos feito assim destituida de todas as qualidades directoras, entregar-lhe nas mãos as rédeas do governo, parece-me que seria preferivel entregá-las aos traficantes do outro sexo” (Alma Nacional, nº 24, Julho 1910).             </p>
<p>Ao feminismo paternalista, muito declamatório e retórico, juntou-se na primeira década do século XX o feminismo militante, que agrupava mulheres “emancipadas” e livres de preconceitos. Estas, embora tendo por missão reclamar a igualdade entre mulheres e homens, partilhavam as reservas do republicanismo anticlerical a respeito da maioria do seu sexo. Recolhiam com devoção as “luminosas” palavras de um republicano histórico, como Manuel de Arriaga, quando ele dizia que “a mulher portuguesa tem sido até hoje o maior auxiliar da tirania”. A escritora Ana de Castro Osório, que viria a presidir à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, fez em 1905 um diagnóstico da condição feminina em Portugal. Reconhecendo que o nosso país não era dos piores, no que respeitava à sujeição das mulheres, reclamava, no entanto, alterações legislativas e mais investimento na educação feminina. Mas sobretudo admoestava os dois sexos: às mulheres portuguesas, aconselhava-as a deixarem-se de frivolidades, a “tornarem-se mulheres como o devemos ser: criaturas conscientes e autónomas, companheiras e aliadas do homem, as verdadeiras educadoras dos seus filhos”. E aos homens cultos, censurava-lhes essa transigencia, essa “tolerancia”, com que aceitavam as crenças das suas mulheres: “indignam-se contra as mulheres e são os próprios homens cultos que transigem com ellas, nas suas crenças e nos seus prejuizos; elles, os que não têm pejo de dizer publicamente que – embora se sintam libertados, embora os seus espiritos pairem alto numa atmosfera de saber e certeza que os orgulha – consentem que as esposas continuem a crêr o que elles descrêm, a vêr o que elles não vêem, a seguir o que elles não seguem, - porque querem ser tolerantes!” (Ana de Castro Osório, Às Mulheres Portuguesas. Lisboa, 1905).</p>
<p>Convergindo, pois, ambos os feminismos, num diagnóstico desfavorável à generalidade do sexo feminino, não admira a prudente reserva com que sempre foram acolhidas as propostas de extensão do voto a esta metade da população. As mais activas defensoras do sufrágio feminino, as militantes da Liga Portuguesa das Mulheres Republicanas e da Associação de Propaganda Feminista, impuseram estreitos limites às suas reivindicações. Mesmo essa heroína do feminismo luso, Carolina Ângelo, a primeira mulher portuguesa que votou, arrancando o seu voto à imprecisão da lei eleitoral, era muito restritiva nas propostas que fazia com as suas companheiras de activismo. Numa representação conjunta apresentada à  Assembleia Nacional Constituinte, propuseram o voto apenas para as mulheres diplomadas com cursos superiores, para as diplomadas com o curso de Instrução Primária Superior, para chefes de família que soubessem ler e escrever e mulheres comerciantes que soubessem ler e escrever. Alguns historiadores optaram por ver nesta proposta um sinal de moderação (Maria Alice Samarra, Operárias e Burguesas. As Mulheres no tempo da República. Lisboa, 2007). Mas quem observa o ambiente em que nasceu o feminismo republicano, encontra aqui mais desconfiança do que moderação. E essa desconfiança mostra-se tão persistente, que vinte anos mais tarde, quando se anuncia finalmente a extensão do direito de voto às mulheres, é com as mesmas reservas e muito pouco entusiamo que Ana de Castro Osório, entrevistada por Rocha Martins, se pronuncia sobre essa conquista.  </p>
<p align="right">Carlos Bobone</p>
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		<title>Feminismo e Antifeminismo na República Portuguesa - 1</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 13:30:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Távora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Condição Feminina]]></category>

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		<description><![CDATA[O carácter do feminismo republicano é tão alheio ao que se entende hoje no mesmo conceito, que alguns historiadores e cronistas, para o tornarem inteligível, imaginaram a ocorrência de uma dramática ruptura entre as mulheres emancipadas e os políticos da república. “O capítulo da história sobre as mulheres na Primeira República é uma novela de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">O carácter do feminismo republicano é tão alheio ao que se entende hoje no mesmo conceito, que alguns historiadores e cronistas, para o tornarem inteligível, imaginaram a ocorrência de uma dramática ruptura entre as mulheres emancipadas e os políticos da república. “O capítulo da história sobre as mulheres na Primeira República é uma novela de traição”, afirma bombasticamente o historiador do “Diário de Notícias”, explicando em seguida que as mulheres republicanas bordaram as bandeiras desfraldadas no dia da revolução, recebendo em paga o incumprimento da “promessa de igualdade de género”, sendo-lhes recusado o direito de voto. Este presumível compromisso, que não se encontra no programa do partido republicano nem nos discursos dos seus próceres, é uma dedução de historiadores que não concebem o feminismo sem sufragismo, e andam arredados da literatura republicana. Nessa caudalosa torrente formada pela imprensa republicana, a mulher, a sua dignidade e a sua missão sagrada, são motes desenvolvidos com frequência, mas o alargamento do sufrágio ao sexo fraco é tema raro e mal acolhido.<span>          </span></font></span></p>
<p><span lang="PT"><o:p><font face="Times New Roman"> </font></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Quando se falou do voto feminino pela primeira vez, na Assembleia Constituinte de 1911, a sugestão despertou tão pouco interesse, que foi saudada com um comentário isolado, uma frase curta, lacónica, recusando categoricamente a utilidade do voto feminino, com um argumento que a maioria da Câmara terá considerado suficiente:</font></span></p>
<p><span lang="PT"><o:p><font face="Times New Roman"> </font></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">“<em>Tem dado lá fora mau resultado porque as mulheres teem sido quase todas reaccionarias</em>” (Actas da Assembleia Nacional Constituinte. Sessão nº 21, de 14 de Julho de 1911).<span>  </span></font></span></p>
<p><span lang="PT"><o:p><font face="Times New Roman"> </font></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Esta linha de raciocínio, negando ao voto um valor em si mesmo e fazendo-o depender dos bons ou maus resultados que dele se retiram, não despertou protestos nessa assembleia em que todos possuíam os mais legítimos pergaminhos democráticos, e mesmo o orador, o deputado Djalme de Azevedo, que havia proposto o acesso das mulheres às urnas, reconheceu a validade da objecção e tratou logo de tranquilizar os ouvintes, declarando que pretendia excluir do direito de votar as mulheres menos instruídas, que eram também as mais reaccionárias.</font></span></p>
<p><span lang="PT"><o:p><font face="Times New Roman"> </font></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Numa tão breve e concisa troca de impressões ficou gravado, em toda a sua riqueza filosófica, o drama do feminismo republicano.<span>  </span></font></span></p>
<p><span lang="PT"><o:p><font face="Times New Roman"> </font></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Nascido numa posição subordinada, sujeito aos superiores critérios do anticlericalismo, nunca pôde libertar-se de uma posição paternalista, onde se escondiam profundas reservas a respeito do sexo feminino e das suas capacidades políticas. A emancipação da mulher era entendida como um esforço para afastá-la da tutela da igreja e do confessionário, libertando-a dos “preconceitos” e da “superstição”. É esse o conteúdo principal da propaganda republicana, quando se trata da condição feminina. Podemos tomar como padrão a conferência que Fernão Boto Machado, dirigente do PRP e da maçonaria, deputado e senador da república, proferiu em 1910: “A queda do monstro. Pela emancipação da mulher. Pela liberdade de consciência”. Aí se aprende que a elevação do papel social da mulher depende, inteiramente, da sua conversão aos valores laicos, da sua transformação num agente do progresso liberal, da sua adaptação a um mundo sem igrejas, sem confessores, sem a sujeição das consciências aos ditames clericais.<span>     </span></font></span></p>
<p><span lang="PT"><o:p><font face="Times New Roman"> </font></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">O feminismo republicano vinha envolto em expressões de pródigo elogio ao sexo feminino, mas o conteúdo das suas propostas apontava sobretudo à dissolução dos laços que prendiam as mulheres à religião. </font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">O respeito e mesmo a veneração da mulher eram constantemente invocados em floreadas expressões de galantaria, exprimindo a mais exaltada admiração pelo belo sexo, por esses “seres sublimes”, por essas “almas delicadas”, e pela sua função “vivificante no lar”.<span>  </span>Mas<span>  </span>por muito exaltantes que fossem os elogios, nunca ficava<span>  </span>esquecida a situação de menoridade a que esses “anjos” haviam sido reduzidos pela igreja e pela monarquia. A emancipação de tão nobres seres não significava, para os republicanos, dar direitos políticos às mulheres, mas sim libertá-las da tutela da igreja, afastá-las dos confessionários e das manifestações devotas, em suma, dar-lhes uma consciência política e social que as tornasse permeáveis ao ideário laico republicano. </font></span></p>
<p><span lang="PT"><o:p><font face="Times New Roman"> </font></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Quanto às relações entre mulheres e homens, não se cansava a retórica republicana de afirmar que os maridos não eram proprietários das suas mulheres, e de condenar em abstracto os homens que reduziam o sexo feminino a condições “humilhantes”. E a mais ousada<span>  </span>conclusão que daí tiravam era a defesa do divórcio. Mas admitir a mulher às altas<span>  </span>deliberações da política, não era prato incluído na ementa republicana.<span>  </span></font></span></p>
<p><span lang="PT"><o:p><font face="Times New Roman"> </font></o:p></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">O anticlericalismo de inspiração francesa sempre opusera fundas desconfianças à admissão das mulheres no mundo político. Vendo nelas o mais sólido e constante apoio do clero, a parte da população que mais cegamente se abandonava nas mãos dos padres, deixando<span>  </span>dirigir a sua consciência por esses “hábeis manipuladores do espírito humano”, não hesitavam em reconhecer no sexo feminino o inimigo natural do “livre-pensamento”. Em 1921 uma das figuras eminentes do movimento anticlerical em França, o escritor André Lorulot, condensou as queixas do “livre-pensamento” contra as mulheres, numa conferência intitulada “O nosso inimigo: a mulher” (Notre ennemi, la Femme. Paris, 1921).<span>  </span></font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman"><span></span></font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="right"><span lang="PT"><font face="Times New Roman"><span>Carlos Bobone</span></font></span></p>
<p><span lang="PT"><o:p><font face="Times New Roman"> </font></o:p></span></p>
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		<title>A Repressão da Imprensa Na 1ª República</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Sep 2010 11:28:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Távora</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Últimas]]></category>

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		<description><![CDATA[
 Não falte, a entrada é gratuita com oferta do catálogo!
Será inaugurada na próxima Segunda-feira dia 04 às 17,00hs no Palácio da Independência em Lisboa a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República” organizada pela Plataforma do Centenário da República e com o apoio da Causa Real que contará com a apresentação do  jornalista e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/09/cartazexporal1.jpg" title="cartazexporal1.jpg"></a><a href="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/09/cartazexporal1.jpg" title="cartazexporal1.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/09/cartazexporal1.jpg" alt="cartazexporal1.jpg" /></p>
<p align="center"> <strong>Não falte, a entrada é gratuita com oferta do catálogo!</strong></p>
<p>Será inaugurada na próxima Segunda-feira dia 04 às 17,00hs no Palácio da Independência em Lisboa a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República” organizada pela Plataforma do Centenário da República e com o apoio da Causa Real que contará com a apresentação do  jornalista e cronista <strong>José Manuel Fernandes</strong>.</p>
<p>Esta exposição estará patente todos os dias até ao dia 15 de Outubro, de Segunda a Sexta, e é feita à margem das comemorações oficiais dos cem anos da república portuguesa e também, o que é mais penoso, à margem da investigação oficial sobre os primórdios do regime republicano.</p>
<p>Trata-se da exibição dum conjunto de várias dezenas de quadros que evidenciam existência de um sistema repressivo regular e duradouro, mantido ao longo da primeira república. Durante esse período o regime estabeleceu formas imaginativas, directas e eficazes, de impedir o acesso do público aos textos perniciosos ou nefastos ao regime: o uso o assalto, a apreensão, a suspensão, e até a censura sem fundamento legal de jornais ou artigos foi tão frequente e continuado, que no seu conjunto constituiu um sistema repressivo sólido e consistente. A estratégia era a sustentação de um regime que não aceitava a contestação dos seus fundamentos, e uma classe política que não punha em jogo a sua permanência no poder. É esta a tese da presente exposição que assim se opõe à ciência histórica em vigor.</p>
<p><strong>Não falte, a entrada é gratuita com oferta do catálogo - de Segunda a Sexta!</strong></p>
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		<title>Qual é coisa, qual é ela, que entra pela porta e sai pela janela?</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 14:21:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Távora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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Afonso Costa não é, como escreveu A.H. de Oliveira Marques, o mais querido e o mais odiado dos Portugueses. É, com certeza, uma das figuras mais ridículas e abjectas da História de Portugal, epítome do que constituiu a I República, ou seja, um regime de vale-tudo, de ameaças, de extorsões, de perseguições e ódios. Afonso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/06/enquanto.jpg" alt="Banquete repúblicano" style="width: 329px; height: 228px" height="432" width="607" /> </p>
<p>Afonso Costa não é, como escreveu A.H. de Oliveira Marques, o mais querido e o mais odiado dos Portugueses. É, com certeza, uma das figuras mais ridículas e abjectas da História de Portugal, epítome do que constituiu a I República, ou seja, um regime de vale-tudo, de ameaças, de extorsões, de perseguições e ódios. Afonso Costa jamais foi querido. Foi sempre temido, odiado, repudiado e no fim respeitado, pois ser amado significava perder a força necessária à consolidação da sua obra.  <a href="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/2010/06/29/qual-e-coisa-qual-e-ela-que-entra-pela-porta-e-sai-pela-janela/#more-340" class="more-link">(more&#8230;)</a></p>
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		<title>Norton de Matos: perfil de um candidato a presidente da república</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 11:01:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Távora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

		<category><![CDATA[Últimas]]></category>

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		<description><![CDATA[José Mendes Ribeiro Norton de Matos. Estranhamente, um minhoto.Tendo frequentado a Escola do Exército, partiu para a India em 1895. Sem jamais pôr em causa a Monarquia e, certamente, compenetradíssimo na sua carreira millitar.
Nasceu em Ponte de Lima em 1867. Já com 81 anos, em 1948, anunciou ao País a sua candidatura à Presidência da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/06/norton-de-matos.jpg" title="Norton de Matos"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/06/norton-de-matos.jpg" alt="Norton de Matos" /></a></p>
<p>José Mendes Ribeiro Norton de Matos. Estranhamente, um minhoto.Tendo frequentado a Escola do Exército, partiu para a India em 1895. Sem jamais pôr em causa a Monarquia e, certamente, compenetradíssimo na sua carreira millitar.</p>
<p>Nasceu em Ponte de Lima em 1867. Já com 81 anos, em 1948, anunciou ao País a sua candidatura à Presidência da República. Por que sinuosos caminhos andou a sua vida até então? De tranquilo e acomodado monárquico fardado - registo, embora, as suas simpatias por João Franco -  a aspirante à Chefia de Estado, em que se notabilizou Norton de Matos? Qual o seu pensamento político, como ganhou ele conteúdo, consubstanciado em quê? Dúvidas não restarão sobre as suas actividades conspirativas contra a República, em 1911. Nem a sua pronta adesão ao Partido Democrático, logo no ano seguinte, assim foram detectados esses seus laivos de fidelidade monárquica. Norton de Matos redundou, por isso, em mais um episódio de <em>adesivismo</em>, tão característico da época. Com o acrescido requinte da sua filiação, por então, na Maçonaria. Com todos os apetrechos exigiveis para, de braço dado, ir descendo com Afonso Costa as escorregadias calçadas da intriga. Aliás, escreveu o jornalista Rocha Martins, terá Norton de Matos afirmado, na sua aproximação à facção radical republicana, «um homem da minha idade, ao atirar-se a uma asneira, é de cabeça»&#8230; E esta amizade e a confiança do gande atazanador do <em>clericalismo</em> valeram-lhe então o cargo de Governador-geral de Angola.</p>
<p>Mas a República ia de mal a pior. Ao ponto do Presidente Manuel de Arriaga convidar - e muito insistir no convite - o general Pimenta de Castro, em 1914, para encabeçar um governo forte, capaz de enfrentar a instabilidade, a desordem, a demagogia. E a violência &#8220;democrática&#8221;, bem entendido. </p>
<p>Não tardou fosse apodado, Pimenta de Castro, de &#8220;ditador&#8221;. Entraram os <em>afonsistas</em> a congregar esforços para o derrubar. A 14 de Maio, uma revolta violentissima em Lisboa, apontou ao velho general os trilhos do exílio, pelo elevado preço de (só na capital) 200 mortos e mais de 1000 feridos. </p>
<p>O então major Norton de Matos era um dos membros da Junta (que também incluia civis) dirigente desse movimento armado de natureza retintamente &#8220;democrática&#8221;. E o seu desempenho como governador de Angola suscitava, entretanto, as maiores reservas, assaz comprometedoras, face à confusão de interesses num projectado negócio de adjudicação de camiões de fabrico italiano. Daí tenha sido demitido desse alto cargo, em 1915 - para, uma vez regressado à Metrópole, sobraçar as pastas de Ministro das Colónias e, depois, da Guerra!Ia-se notando bem a sua ascenção no aparelho de Estado! Outrossim, as suas tomadas de posição. Desde logo, quando, implacável, ordenou o deportamento, sem prévio julgamento, de Pimenta de Castro e dos seus ministros. Expressamente reivindicou, do Parlamento, autorização para demitir oficiais do Exército, sem processo ou culpa formada, contando manifestassem a sua discordãncia face à politica do governo &#8220;democrático&#8221; de cuja pasta da Guerra era titular. E, também, quanto ao grande conflito que infernizava a Europa e o mundo, em geral, e de cuja participação nossa foi um entusiasta fervoroso. Sabemos que os <em>afonsistas</em> levaram avante este seu propósito. Norton de Matos seria um dos responsáveis máximos pela mobilização do Corpo Expedicionário Português. Dos muitos milhares de compatriotas inexplicavelmente enviados para a morte nas trincheiras de França e da Flandres. A palavra a António Granjo e à sua autoridade de combatente: «<em>Eu assisti à mobilização e fui também mobilizado; era uma desorganização organizada; era uma desordem ordenada, quanto a mim porque apenas havia algumas ordens a dar. Mas não era apenas isso. Os franceses, quando se referiam ao nosso exército, empregavam esta expressão: Pas d&#8217;administration militaire. De facto o nosso corpo expedicionário, à sombra da organização actual, teria perecido de fome e de frio, não teria guardado durante os largos meses que guardou as trincheiras, se não fosse a organização militar inglesa</em>».</p>
<p>Já promovido a tenente-coronel, mas sempre ministro, &#8220;justificava-se&#8221; que Norton de Matos ficasse assistindo à Guerra aqui do seu gabinete. Somente visitou a frente de combate em Maio de 1917. Internamente, sucediam-se as arruaças, espevitado o povo pela falta de víveres, por toda a sorte de privações. Com a <em>República Nova</em> de Sidónio, Norton de Matos, já coronel, apanhou boleia de um navio inglês surteado no Tejo e refugiou-se em Gibraltar. Só após o assassinato do <em>Presidente-Rei</em> tornaria a solo pátrio. Onde o esperavam - no recuperado império do Partido Democrático - as galonas de general e o alto-comissariado de Angola.</p>
<p>Uma vez mais, a sua permanência na grande colónia portuguesa se pautaria por suspeições e imputações de condutas menos claras. Em 1924, o deputado Cunha Leal surgia no Parlamento carregado de papeis. Pediu a palavra&#8230; Era uma colecção de «<em>erros, desbarates de dinheiros</em>» (vd. J. Veríssiomo Serrão, História de Portugal, XI, pág. 291) apontada a Norton de Matos. E engalanada com acusações de cobardia, intolerância, mesquinhez, exibicionismo, clientelismo&#8230; Com arrebiques de chacota, como o lance em que mandou matar o seu cavalo, após zanga entre ambos e o consequente trambolhão, animal abaixo&#8230; Os seus próprios coreligionários não o pouparam a críticas, e o seu<em>consulado</em> no Ultramar ficaria depreciativamente rotulado de &#8220;Nortonia&#8221;.</p>
<p>Ainda nesse ano, invocando motivos de saúde, renunciou ao cargo em Angola. Talvez porque o seu médico lhe recomendasse os bons ares britânicos, foi de imediato designado embaixador da República em Londres.</p>
<p>O advento do Estado Novo significou para Nortonde Matos o exílio. Sem embargo, decidiu candidatar-se, conforme já referi, à Presidência, em 1948. Seria uma candidatura oposicionista, á qual aderiram alguns vultos de nome como Santos Silva e Olívio França e os comunistas. Uma candidatura também embaraçosa, por isso. E subordinada ao emérito propósito de promover a «<em>Unidade Nacional</em>».</p>
<p>Para tanto, e cautelarmente, Norton de Matos omitiu nos seus manifestos e documentação apresentada à Imprensa, a sua anterior filiação no Partido Democrático. Também terá evitado a menção à sua ligação à Maçonaria, de que era grão-mestre. Não, agora era a maré do parlamentarismo e da liberdade. Sobre a qual escrevia: «<em>Este clamor nunca mais cessou em torno de mim; a ânsia pela liberdade, pela reconquista dos direitos fundamentais do homem, pelo sagrado respeito da pessoa humana, pelo desaparecimento de todas as violências, de todos os vexames e violações que nunca mais deixou de vibrar aos meus ouvidos</em>».</p>
<p>É desculpável que, aos 81 anos, não se recordasse já das arbitrariedades cometidas umas décadas antes com os seus adversários políticos, deportados ou demitidos, sem culpa formada, por nenhuma razão senão essa - a de não lerem pela sua cartilha.Em plena campanha eleitoral, consta, perguntou-lhe um monárquico se a «<em>Câmara Constituinte</em>» seria livre de deliberar o restabelecimento da Instituição Real. O distinto candidato redarguiu, manifestando a sua convicção de que haveria deputados monárquicos eleitos, embora ele, republicano, aspirasse a uma «<em>Constituição Republicana</em>». E, logo após, talvez porque lhe ocorresse o projecto espanhol restauracionista de então, frisou, pressurosamente que a sua &#8220;aspiração&#8221; teria de se «<em>transformar em acção mais drástica</em>»&#8230;</p>
<p>Norton de Matos desistiria da sua candidatura. Carmona, reconheça-se, merecia mesmo ganhar.</p>
<p>João  Afonso Machado</p>
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		<title>República: do sonho à desilusão</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 17:05:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Távora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A Propaganda]]></category>

		<category><![CDATA[Antes e Depois]]></category>

		<category><![CDATA[Últimas]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste ano centenário da república, a ciência histórica académica parece ter estabilizado em volta de uma tese que, afastando-se das interpretações do republicanismo ortodoxo e reconhecendo muitas das falhas do regime inaugurado em 1910, tenta ainda salvaguardar a pureza do ideal republicano, salientando o presumível contraste entre uma doutrina imaculada e o regime que realmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Neste ano centenário da república, a ciência histórica académica parece ter estabilizado em volta de uma tese que, afastando-se das interpretações do republicanismo ortodoxo e reconhecendo muitas das falhas do regime inaugurado em 1910, tenta ainda salvaguardar a pureza do ideal republicano, salientando o presumível contraste entre uma doutrina imaculada e o regime que realmente se implantou. A república terá sido, a fazermos fé no que nos dizem catedráticos e investigadores especializados, um ideal que não se cumpriu, um sonho que falhou a sua realização concreta. As grandes figuras do regime transformam-se, nas mãos de biógrafos complacentes, em actores de um grande drama, que começa no vigor dos impulsos generosos e acaba na amargura da desilusão.</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Esta forma de apresentar os dados históricos, representa já um assomo de rebeldia, quando comparada com a estrita apologia da primeira república, devotamente praticada pelas gerações de historiadores-militantes como Lopes de Oliveira, Luís de Montalvor, Raul Rego, Carlos Ferrão ou David Ferreira, para quem a “república democrática” foi um regime cuja vida política decorreu num ambiente da “máxima liberdade possível”.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">A distinção rigorosa dos dois planos do republicanismo, o da propaganda em que se teriam manifestado todos os sentimentos generosos e o da implantação do regime, em que teriam vindo à superfície todas as incompatibilidades e todas as dissenções, embora revele um meritório esforço de independência frente à tradicional veneração pelos poderes constituídos, deixa ainda de fora a maior parte das explicações possíveis para o<span>  </span>carácter bizantino e as insustentáveis contradições da experiência republicana em Portugal. Remetendo as interpretações para o campo do drama pessoal, para a dolorosa consciência do abismo que separa o sonho e a realidade, deixa por explicar como se deu a súbita transformação dos sonhadores em opressores. Para quem leia os nossos académicos, parece que a metamorfose se deu de um dia para o outro, que os idealistas da véspera se tornaram os intriguistas do dia seguinte, que os adeptos do sufrágio universal e da liberdade de imprensa se viram num passe de magia transfigurados nos seus mais convictos inimigos. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT">Mas a mais grave insuficiência desta tese consiste em ignorar as principais<span>  </span>características da propaganda republicana, esquecendo ou pondo de lado a abundante literatura política produzida ao longo dos trinta anos que antecederam a implantação da república. Qualquer amante da história que, dispensando o filtro das dissertações académicas, consulte directamente o rico manancial da propaganda republicana, seja nos seus órgão mais populares como “O Século” de Magalhães Lima, “O Mundo” de França Borges e “A Lucta” de Brito Camacho, ou nos de maiores pretensões intelectuais como as “Cartas” de João Chagas e a “Alma Nacional” de António José de Almeida, encontra uma atmosfera<span>  </span>muito diferente das nuvens de idealismo doutrinário que os historiadores gostam de descrever. O tom dominante é de uma extrema agressividade, sendo os textos compostos com prolixa adjectivação, destinada a gerar sentimentos indignados e não a propor novas formas de organização social. A doutrina democrática está presente como pano de fundo, mas num plano muito secundário, tanto no espaço que ocupa como na linha de argumentação. O lugar de honra é conferido às exaltadas denúncias dos “manejos jesuíticos”, tema obsessivamente desenvolvido em dezenas de textos diários, que apesar da sua muita extensão não têm outro conteúdo senão chamarem às actividades dos jesuítas “manejos”, apelidando-os ainda de “perniciosos”, e dando-os por responsáveis por todos os males que pesam sobre o país. Os insultos à família real e a todos os políticos monárquicos, sem limites alguns de decência, ocupam também uma larga porção da propaganda republicana. O diagnóstico do estado em que se encontra o país é elevado aos cumes do pessimismo, e daí se retira a legitimidade para atacar com destemperada fúria o regime, os jesuítas, a família real e os políticos. Os poetas republicanos Guerra Junqueiro e Gomes Leal usam toda a sua eloquência para descrever o povo oprimido, ultrajado, espoliado, reduzido à miséria, à fome, à ruína moral e material. As poucas vozes que se levantavam para contradizer tão exaltadas denúncias, como a de Ramalho Ortigão que apontou a falta de correspondência com a realidade no “Finis Patriae” de Guerra Junqueiro, ficaram submersas na torrente de literatura apocalíptica que todos os dias inundava as bancas dos jornais. Os intelectuais do PRP resumiam a história da dinastia Brigantina a um “miserável rosário de infamias, de cobardias e baixezas”, descrevendo a Casa Real “enlameada pela cobardia de todas as traições e envilecida na torpeza de todas as violencias”. Mesmo aquelas sumidades do partido republicano que mais tarde se cobriram com uma auréola de moderação, como Basílio Teles e António José de Almeida, invocavam o “estado de aviltamento e miséria” a que a monarquia conduzira Portugal, para justificar a “interferencia insurreccional dos cidadãos” (Basílio Teles), ou seja a tomada do poder pela força, enquanto recusavam qualquer compromisso de cumprimento de regras no debate político, qualquer comedimento nas palavras, qualquer legalismo, qualquer sinal de “fraqueza” ou de conciliação perante os “salteadores da pátria e do povo”. A solução que estes “idealistas” apresentavam estava longe de revelar respeito pelos adversários políticos: “o problema nacional tem de ser resolvido a tiro e só a metralha, infelizmente, pode purificar o atoleiro em que a sapata clerical de um regime odioso, a cada momento, revolve o entulho e a vasa”, clamava António José de Almeida em 1910 na “Alma Nacional”, enquanto outros órgãos da imprensa republicana, menos afectos à moderação, despejavam diariamente incitações à vingança contra a “canalha” que roubava o povo. A família real não escapava aos insultos e às ameaças, e embora o rei D. Carlos, mesmo depois de morto, fosse o mais visado, nem a idade nem as dramáticas circunstâncias em que subiu ao trono pouparam D. Manuel às agressões da propaganda republicana, que nos seus momentos mais calmos lhe chamava o “sumido vulto de uma criança cobarde e deformada”(Camara Reys). </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="PT"><span> </span>A leitura da propaganda republicana, depois das primeiras reacções de espanto que provoca, traz consigo o salutar efeito de nos resguardar do sentimentalismo indulgente com que os historiadores catedráticos cobrem as mais insanas emanações do republicanismo português. E ao mesmo tempo lança a luz sobre o fio condutor que une esses dois mundos, aparentemente separados mas na verdade estreitamente unidos, o da república sonhada e o da república proclamada. Para quem gosta de finais felizes, fica também o consolo de verificar que a república não constituiu uma inteira desilusão, pois se não cumpriu as mais importantes promessas do programa do PRP – sufrágio universal, liberdade de imprensa, separação dos poderes -, cumpriu no entanto as principais ameaças disseminadas no tempo da propaganda: expulsão dos jesuítas, banimento da família real, expulsão das congregações religiosas, abolição do ensino religioso. </span></p>
<p style="text-align: right" class="MsoNormal"><em>Por Carlos Bobone,publicado originalmente no Correio Real, boletim da</em> <a href="http://www.reallisboa.pt/ral/loja-online/" target="_blank"><em>Real Associação de Lisboa</em></a><em> </em>
<p style="text-align: right" class="MsoNormal">&nbsp;</p>
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		<title>Virtudes e malefícios do Sufrágio Universal</title>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 09:27:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Távora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Antes e Depois]]></category>

		<category><![CDATA[Eleições]]></category>

		<category><![CDATA[Últimas]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes da tomada do poder em 1910, o sufrágio universal era um dos pontos essenciais do programa republicano. Não se concebia a república portuguesa senão sob a forma democrática, usando-se indiferentemente os nomes de democracia ou república, como sinónimos ou conceitos inseparáveis. O sufrágio universal era a condição necessária e suficiente para se estabelecer a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes da tomada do poder em 1910, o sufrágio universal era um dos pontos essenciais do programa republicano. Não se concebia a república portuguesa senão sob a forma democrática, usando-se indiferentemente os nomes de democracia ou república, como sinónimos ou conceitos inseparáveis. O sufrágio universal era a condição necessária e suficiente para se estabelecer a república democrática. A ausência do sufrágio universal no regime monárquico fornecia a justificação categórica de todos aqueles que alegavam a falta de legitimidade da monarquia constitucional, advogando a imposição da república por métodos revolucionários, incluindo o recurso aos atentados bombistas, à rebelião armada e à insurreição popular. Os defeitos da legislação eleitoral, que restringia o sufrágio, explicavam o divórcio entre a vontade da nação e a representação parlamentar, asseveraram os enviados oficiais do PRP em declarações à imprensa de vários países europeus, meses antes do 5 de outubro.</p>
<p>Mas a chegada às cadeiras do poder abriu os olhos da nova classe dirigente para os embaraços que a vontade popular poderia trazer ao “rumo progressivo” dos povos. As primeiras eleições em regime republicano manifestaram já um muito peculiar conceito de soberania popular. A introdução do conceito de “eleição sem votos”, sob o pretexto de que nos círculos onde não se apresentassem listas da oposição era inútil montar todo o aparato do sufrágio, foi uma lição de política que a jovem república portuguesa deu a todo o mundo civilizado. O ministro do interior, António José de Almeida, que no ano anterior fizera publicar na sua revista “Alma Nacional” extensos artigos reclamando a imperiosa necessidade do sufrágio universal, disseminava a responsabilidade da nova lei eleitoral por todos os órgãos do partido, pelos ministros e governadores civis, alegando que os consultara e tivera em conta antes de aprovar o diploma. Na Assembleia Nacional Constituinte, nascida destas “eleições”, os pretensos representantes do povo, não obstante serem quase todos (97,9%) membros do Partido Republicano Português, e portanto genuínos democratas, exprimiram sem complexos as reservas que opunham ao sufrágio universal, apresentado agora como o “voto dos analfabetos”, e não como “a expressão da vontade do povo”.</p>
<p> </p>
<p>Na sessão de 4 de Agosto de 1911, o deputado Faustino da Fonseca expunha uma opinião que começava a conquistar adeptos naquela democrática assembleia:</p>
<p> </p>
<p>“<em>Tem-se falado em suffragio universal, com o proposito de conceder o voto ao analfabeto.</em></p>
<p><em>Não pode ser.</em></p>
<p><em>O suffragio universal é reclamado contra o voto censitario; tem por fim dar ao operario, que só possue o braço, o direito eleitoral, limitado, em certos  paises, aos contribuintes e proprietarios.</em></p>
<p><em>Ninguem podia prever nos paises cultos que se reclamasse o suffragio universal para os analfabetos, quando tem bastado os ruraes, embora saibam ler, para contrariar, na Suissa e na França, diversas medidas de progresso.</em></p>
<p><em>Ora, se não podemos conceder o voto aos trabalhadores que não sabem ler, não podemos conceder o voto plural aos burgueses, que mal sabem ler e que afinal nada lêem.</em></p>
<p><em>A grande fatalidade da terra portuguesa é não existir o habito da leitura; os proprios politicos não se regulam pela que lêem, mas pelo que ouvem na tabacaria, no café ou no centro</em>”.</p>
<p style="text-align: justify"> <a href="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2008/10/eleicoes.jpg" title="eleicoes.jpg"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2008/10/eleicoes.jpg" alt="eleicoes.jpg" /></a></p>
<p style="text-align: justify">A estes argumentos respondeu um deputado, defendendo a honra do povo analfabeto: &#8220;<em>Ha analfabetos mais intelligentes que esses bachareis e esses burgueses; foram mais uteis à Republica do que elles!</em>&#8220;.</p>
<p>Mas o orador replicou-lhe, com implacável desdém:&#8221;<em>Intelligentes, não! Lançaram-se na luta, arrastados pelo aspecto messianico da palavra magica - Revolução! - Mas essa inconsciencia é perigosa.</em><em> O messianismo é triste condição dos povos bárbaros, e nós não nos podemos governar à marroquina.</em><em>O que queremos é a collaboração dos illustrados, dos intelligentes; porque as sociedades não são dirigidas pelas maiorias incultas, mas pelas minorias organizadas, actuando sob uma forte disciplina mental</em>&#8220;.(Diário da Assembleia Nacional Constituinte. Sessão nº 38)Na mesma sessão, o deputado Sidónio Pais chamou a atenção da assembleia para o perigo da &#8220;<em>ditadura de uma multidão, tão perigosa ou mais do que a ditadura de um déspota</em>&#8220;, enquanto o deputado Ladislau Piçarra emitia reservas ao voto dos analfabetos. Depois deles, o deputado João de Freitas explicava o seu complexo projecto destinado a constituir um senado em cuja eleição interviessem apenas os corpos sociais compostos de &#8220;cidadãos sincera e devotadamente republicanos, ilustrados e que com tanto civismo contribuiram para a obra patriotica da implantação da republica&#8221;. Deste último projecto ficavam afastados, já se vê, não apenas a &#8220;grande massa analfabeta e inculta da nação&#8221;, mas também os membros das juntas de paróquia rurais, visto que estes, &#8220;a respeito de illustração&#8221;, não se distinguiam, por regra, da maioria da população.Como se vê, passado menos de um ano sobre a queda da monarquia, o vírus anti-sufragista alastrava com uma força avassaladora pela classe política republicana. O recurso ao voto perdia importância no confronto das forças políticas, sendo substituído pelo jogo das intrigas e alianças, dos golpes de força e dos confrontos de rua. A assembleia constituinte, em vez de se dissolver depois de aprovada a constituição, decidiu prolongar o seu mandato até 1915. E nas eleições intercalares de 1913, convocadas para a substituição dos deputados que passaram a senadores, apresentou-se uma nova lei eleitoral, que eliminava definitivamente os analfabetos do corpo dos eleitores, reduzindo o censo para cerca de metade dos cidadão que tinham o direito de voto nos últimos anos da monarquia. Num vigoroso discurso, Afonso Costa desafiava os críticos da lei: &#8220;Se querem fazer eleições com votos inconscientes, façam-nas os senhores. Eu é que não as faço!&#8221; E assim se dava o golpe final nas convicções democráticas do republicanismo português. Os últimos vestígios de respeito pelo voto popular vieram à superfície durante as &#8220;ditaduras&#8221; de Pimenta de Castro e Sidónio Pais, mas logo que se ultrapassaram estas duas situações de excepção, voltaram à paz e ao esquecimento da sepultura os restos mortais do sufrágio universal.
<p style="text-align: right"> Carlos Bobone</p>
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		<title>Libredade Condicional</title>
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		<pubDate>Sat, 22 May 2010 16:06:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Távora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[Passou demasiadamente despercebida a recente notícia publicada no Jornal i sobre a um projecto escolar no distrito de Aveiro a respeito dos cem anos da república portuguesa em que alguém se atreveu a incluir um quadro sobre o período da 2ª República. Lendo a notícia não se percebe tanta indignação, porquanto professora Joaquina da Conceição, responsável pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/05/rescrever-a-historia.jpg" title="rescrever-a-historia.jpg"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/05/rescrever-a-historia.jpg" alt="rescrever-a-historia.jpg" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Passou demasiadamente despercebida a recente<a href="http://www.ionline.pt/conteudo/60934-rever-historia-e-saudosismo-fascista-projecto-escolar-abre-polemica-em-aveiro" target="_blank"> notícia publicada no Jornal <em>i</em></a> sobre a um projecto escolar no distrito de Aveiro a respeito dos cem anos da república portuguesa em que alguém se atreveu a incluir um quadro sobre o período da 2ª República. Lendo a notícia não se percebe tanta indignação, porquanto professora Joaquina da Conceição, responsável pelo projecto defende que <em>só </em>conhecendo o Estado Novo<em> &#8220;podemos compreender o</em><em> </em><em>25 de Abril</em><em> </em><em>e perceber porque é que o 25 de Abril foi necessário&#8221;. <span class="Apple-style-span" style="font-style: normal"><em><span class="Apple-style-span" style="font-style: normal"><em><span class="Apple-style-span" style="font-style: normal"><em><span class="Apple-style-span" style="font-style: normal"><em><span style="font-style: normal" class="Apple-style-span">O Estado Novo continua ser injustamente o parente pobre da nossa centenária república, apesar de não passar dum subproduto do regime terrorista seu antecessor. De resto, não será por acaso que a indignação de alguns escrupulosos pais e professores tenha sido assumida pelo deputado do Bloco de Esquerda Pedro  Soares, que se tomou de calores <em>denunciando obrigar alunos menores de idade a serem actores num acto laudatório e acrítico de uma página negra da</em><strong><em> </em></strong><em>história de Portugal.</em><strong><em> </em></strong></span></em></span></em></span></em></span></em></span></em></p>
<p> <a href="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/2010/05/22/libredade-condicional/#more-332" class="more-link">(more&#8230;)</a></p>
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		<title>A bandeira de Portugal</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 00:16:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ninica</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

		<category><![CDATA[Últimas]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos aspectos simbólicos mais pungentes e tristes do golpe republicano em Portugal prende-se com a mudança da Bandeira Nacional, um acontecimento que ilustra, como iremos ver ao longo destas linhas, o facciosismo irracional e o fundamentalismo ideológico dos seus mentores. As fontes oficiais remetem erroneamente para um pretenso simbolismo associado às cores adoptadas:
A bandeira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos aspectos simbólicos mais pungentes e tristes do golpe republicano em Portugal prende-se com a mudança da Bandeira Nacional, um acontecimento que ilustra, como iremos ver ao longo destas linhas, o facciosismo irracional e o fundamentalismo ideológico dos seus mentores. As fontes oficiais remetem erroneamente para um pretenso simbolismo associado às cores adoptadas:</p>
<blockquote><p><em>A bandeira tem um significado republicano e nacionalista. A comissão encarregada da sua criação explica a inclusão do verde por ser a cor da esperança e por estar ligada à revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891. Segundo a mesma comissão, o vermelho é a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre (&#8230;). Lembra o sangue e incita à vitória.</em></p></blockquote>
<p>Ora, nada disto é verdade. As cores da bandeira que teoricamente decorreu de um concurso de ideias - o qual deveria ser plebiscitado e, posteriormente, aprovado na Assembleia Constituinte - foram as dos &#8220;patrocinadores do golpe revolucionário&#8221;: o Grande Oriente Lusitano e a Carbonária, cujos estandartes se elucidam nas figuras que se seguem.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/estandarte_grande_oriente_lusitano.jpg" alt="estandarte_grande_oriente_lusitano.jpg" /><br />
<strong>Figura 1 - O estandarte do Grande Oriente Lusitano</strong></p>
<p>A verdade é que esse concurso de ideias em que as propostas mais coerentes, provenientes de muitos republicanos, passavam pela natural manutenção das cores nacionais, o azul e o branco, foi pura e simplesmente ignorado e bandeira imposta fazia tábua rasa do bom senso e das regras básicas da heráldica.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/bandeira_carbonaria.jpg" alt="bandeira_carbonaria.jpg" /><br />
<strong>Figura 2 - A Bandeira da Carbonária</strong></p>
<p>Na prática, a forma republicana de resolver a questão da bandeira foi semelhante àquela que eles usaram para resolver outras questões: as eleições para a Assembleia, com esquemas que fariam corar de vergonha a “Ignóbil Porcaria”; a censura prévia – que não existia formalmente porque o «bom povo republicano» empastelava – expressão revolucionária utilizada na altura -todos os órgãos de comunicação social que tivessem simpatias monárquicas, etc.</p>
<p><strong>As alterações de regime na mudança das cores nacionais</strong></p>
<p>Na Europa, sobretudo após os conflitos mundiais, foram vários os países que alteraram – na maior parte dos casos por razões exógenas – a sua forma de regime. Mas em nenhum dos casos – ou em quase nenhum, como iremos ver mais à frente – a mudança de regime determinou a alteração das cores da bandeira.</p>
<p align="center"><strong>Albânia</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/albania.jpg" alt="albania.jpg" /></p>
<p>Embora com alterações a nível da figuração da águia bicéfala, a bandeira albanesa estabilizou-se ainda na altura da sedimentação política do Principado, ainda em 1914, ganhando a forma que se pode encontrar na representação do lado esquerdo: a águia bicéfala sobre o campo vermelho. Quando a Albânia se tornou numa república socialista, após a II Guerra Mundial, alterou-se o símbolo real trocando-a por uma estrela de cinco pontas.</p>
<p align="center"><strong>Áustria</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/austria.jpg" alt="austria.jpg" /></p>
<p>No caso austríaco – não considerando aqui a bandeira desenhada por ocasião da formação do Império Austro-Húngaro que, na prática, era constituída pela justaposição das bandeiras dos dois países – mantém-se o paradigma: as cores dominantes da bandeira mantêm-se, alterando-se o escudo real pela águia – que, curiosamente, se mantém coroada.</p>
<p align="center"><strong>Hungria</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/hungria.jpg" alt="hungria.jpg" /></p>
<p>Na Hungria, que passou a república logo após a I Guerra Mundial, a bandeira sofreu algumas modificações mas sempre na representação central: perdeu o escudo e a coroa, em 1920. Ganhou de novo o escudo, com a cruz de Santo Estêvão, em 1940 e a infeliz sovietização do país não lhe roubou as cores nacionais, alterando-se apenas a representação central, digna dos cânones dogmáticos gráficos do comunismo: o martelo, o trigo e a estrela de cinco pontas. Actualmente a bandeira é a da esquerda, sem os anjos</p>
<p align="center"><strong>Itália</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/italia.jpg" alt="italia.jpg" /></p>
<p>Em Itália, o exemplo é ainda mais singelo. Após a II Guerra Mundial, num plebiscito que foi caracterizado pela fraude, a monarquia foi abolida e as armas da Casa de Sabóia foram retiradas do campo branco da bandeira.</p>
<p align="center"><strong>Bulgária</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/bulgaria.jpg" alt="bulgaria.jpg" /></p>
<p>A Bulgária foi outro dos países anexados administrativamente pela União Soviética após a conferência de Ialta. Os comunistas mantiveram as cores da bandeira, colocando na faixa branca, junto à tralha, o seu grafismo ideológico.</p>
<p align="center"><strong>Roménia</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/romenia.jpg" alt="romenia.jpg" /></p>
<p>Também na Roménia, o mesmo fenómeno se verificou. Foram retiradas as armas reais do campo amarelo e colocado o novo escudo comunista do país, após a deposição do Rei Miguel.</p>
<p align="center"><strong>Brasil</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/brasil.jpg" alt="brasil.jpg" /></p>
<p>Até o nosso país-irmão, o Brasil, que transitou ingloriamente para a República em 1889, conservou as cores nacionais retirando apenas as armas imperiais do centro.</p>
<p><strong>Os exemplos da mudança</strong></p>
<p>Na Europa do século XX, há poucos registos de mudança das cores nacionais das suas bandeiras, decorrentes de alterações de regime. Os exemplos mais gritantes, pelo que representam de intolerância e de fundamentalismo ideológico, são dados pela Alemanha nazi e pela revolução soviética:</p>
<p align="center"><strong>Alemanha</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/alemanha.jpg" alt="alemanha.jpg" /></p>
<p>Na Alemanha, a tricolor que nasceu aquando da formação do Império Alemão foi esquecida e a ascensão de Hitler deu azo à criação de uma nova bandeira, em 1935. Após a II Guerra Mundial os alemães recuperaram a tricolor do Império Alemão e até a Alemanha Comunista manteve essa coerência, colocando-lhe no centro os símbolos da orientação ideológica comunista.</p>
<p align="center"><strong>Rússia</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/russia.jpg" alt="russia.jpg" /></p>
<p>A Rússia Imperial que claudicou em 1917 deu lugar à União Soviética. Aqui também não houve respeito pelas cores nacionais e o Partido Comunista Soviético impôs os seus próprios símbolos como símbolos nacionais. Com o fim da União Soviética, a Rússia recuperou a sua bandeira tradicional e até usa a “águia bicéfala czarista” como símbolo nacional</p>
<p align="center"><strong>Portugal</strong></p>
<p align="center"><img src="http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2010/04/portugal.jpg" alt="portugal.jpg" /></p>
<p>Em Portugal, as cores azul e branco foram instituídas por decreto das Cortes Gerais da Nação de 22 de Agosto de 1821, na sequência da revolução liberal do ano anterior. Com o golpe republicano, o pior dos cenários verificou-se o que, em certa medida, não surpreende porque a revolução fez-se com a esquerda das esquerdas.</p>
<p align="right">José Barros Rodrigues</p>
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